Agricultura

A Guiné-Bissau tem uma população de 1,8 milhões de pessoas sendo que 75% da força de trabalho pertence ao setor da agricultura, que compreende 50% do PIB nacional. Para contribuir ao desenvolvimento económico da Guiné-Bissau e reduzir a insegurança alimentar  nas populações rurais,  a ADPP GB, através do seu programa Clubes de Agricultores, organiza e capacita aos pequenos agricultores familiares em técnicas de agricultura sustentáveis que permitam aumentar a segurança alimentar e, com o excedente, reduzir a pobreza criando resiliência nas famílias rurais.

Há uma necessidade urgente de se adaptar a um estilo de vida e dieta mais saudáveis, com base em alimentos frescos produzidos localmente, não contaminados por químicas na produção e conservação, e com isso fortalecendo a economia rural local. Apostamos assim numa agricultura sustentável que apoie a produção de alimentos de famílias e comunidades e melhore a sua subsistência por meio do agronegócio local. Envolvemos cada vez mais mulheres, porque são elas que tradicionalmente trabalham no campo e vendem seu excedente. Eles também são os que mais cuidam do bem-estar da família. Por uma economia verde liderada por mulheres!

Clube de Agricultores

O Projeto de Clubes de Agricultores trabalha diretamente com os agricultores aumentando a produção, melhorando a diversificação dos cultivos e aumentando a qualidade do produto agrícola através do desenvolvimento de métodos agrícolas simples e sustentáveis.

O programa organiza a população agrícola rural em clubes, de 50 membros cada um deles, com características cooperativas, que lhes permite negociar coletivamente  melhores preços de sementes agrícolas, hortícolas e transporte de insumos agrícolas e também de comercialização dos seus produtos de forma mais eficaz e rentável.  As capacitações são dadas em campos de cultivo comuns e,  paralelamente, cada agricultor ou família aplica as técnicas aprendidas nos seus campos individuais.

Projetos

O projeto “Labur e nô Balur! Agricultura com Valor”Centro de Desenvolvimento Hortícola de Bachil ocorreu de Novembro de 2018 a Maio de 2019 na região de Cacheu e foi financiado pelo Governo da Austrália Programa Ajuda Direta através da Embaixada da Austrália em Lisboa.

Foi reabilitado um edifício da um centro comunitário Escola de Formação de Professores (EPF) e transformado em centro comunitário, junto ao qual se constituiu um campo hortícola modelo de 72m2. O projeto apostou na formação teórica e prática de 35 mulheres e dois homens sobre horticultura, introduzindo técnicas agrícolas que aumentam a produção mas que respeitam o ambiente. As técnicas foram testadas no campo modelo e depois levadas para as 12 comunidades a que os agricultores pertenciam.

Por outro lado, o projeto formou os futuros professores da EPF em horticultura sustentável, proteção do meio ambiente e diversidade ambiental.

A Escola Vocacional de Bissorã (EVB) em parceria com o Projeto de Desenvolvimento da Cadeia de Valor de Arroz (PDCV) e com o financiamento do Banco Africano de Desenvolvimento, constituíram no recinto da EVB um campo hortícola modelo com a dimensão de 1 ha. Este está em processo de instalação. A vedação está finalizada e o trabalho de adubação do solo iniciado.

Assim que o sistema de irrigação estiver operacional, este campo servirá para aumentar a produção e a venda de produtos hortícolas no sector de Bissorã. Será também um local de prática de novas técnicas hortícolas e um local para empreendedores iniciarem os seus negócios.

Projeto de Processamento e Comercialização de Caju financiado pela União Europeia iniciou em 2019 o processo de transformação da castanha de caju, tendo sido produzidas 120 toneladas.

Paralelamente, o projeto teve uma componente formativa muito forte para a assegurar a continuidade do centro: 1) formação sobre o aproveitamento e transformação do pedúnculo do caju em sumo, bolos, compotas, carne “vegetal”, estrume ou ração para animais; 2) formação sobre o processo de crescimento e cuidados a ter na plantação, poda e limpeza dos cajueiros; 3) formação sobre controlo de doenças e pestes e o uso de pesticidas orgânicos que culminou com a certificação das plantações como “Biológicas”.

O projeto terminou em Dezembro de 2019 e o Centro de Processamento vai continuar a sua produção sob a égide da ACACB – Associação de Clube de Agricultores Comercial de Bissorã