Desenvolvimento Comunitário

Comunidades unidas, resilientes e sustentáveis!

As comunidades ou tabancas são as unidades organizacionais da Guiné-Bissau, visto que a maioria da população vive em meio rural. Nestas, estabelecem-se fortes redes de relação que são veículos preferenciais para a adopção de novos conhecimentos, praticas e comportamentos. É no centro das comunidades que se desenvolvem os mecanismos de educação e o desenvolvimento da cultura e costumes: Formas de estar, vestir, celebrar e cozinhar passam de geração em geração, adaptando-se às exigências e desafios. A Guiné-Bissau possui uma riqueza cultural inigualável devido à existência de mais de 15 etnias que povoam este pequeno país. No entanto, muitos são os desafios que as comunidades enfrentam, especialmente quando a fome e a pobreza assolam os seus membros mais capazes. Estes procuram soluções que tragam prosperidade: procura de emprego nas grandes cidades, emigração regular ou irregular, entram em atividades menos lícitas ou expõem-se a situações que colocam a sua vida em risco. Comunidades unidas e resilientes são lugares seguros e têm membros que conhecem os seus direitos e são capazes de procurar soluções apropriadas para os seus problemas. Vivemos momentos de instabilidade e nestes o foco será nas soluções e potencialidades em vez de nos problemas. O trabalho árduo e em grupo trará mais prosperidade. “Nunca antigas soluções resolveram novos problemas”.

Bu Terra Ibu Lugar Seguro 

Bu Terra Ibu Lugar Seguro – Reintegração dos Migrantes Guineenses Retornados foi um projeto implementado de Agosto de 2018 a Agosto de 2019, que permitiu dar resposta à problemática da emigração irregular. Muitos jovens deixam o seu país à procura de trabalho e melhores condições de vida, mas as suas experiências mostram o contrário – as grandes dificuldades vivenciadas, colocaram as suas vidas em risco e regressam sempre com menos do que quando partiram. O projeto foi implementado em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e trabalhou com três públicos-alvo: (i) com 35 migrantes retornados que se formaram na área do empreendedorismo e lançaram os seus pequenos negócios; (ii) as autoridades locais que receberam formação sobre a migração irregular e o livre movimento de pessoas no espaço da CEDEAO; (iii) e a população em geral foi sensibilizada sobre os riscos da migração irregular através de programas de rádio.

Capacitação e Sensibilização sobre os Direitos Humanos

O projeto de Capacitação e Sensibilização sobre os Direitos Humanos foi implementado na região de Cacheu de Novembro de 2017 a Julho de 2019 e contou com o financiamento do Governo do Reino dos Países Baixos através da sua Embaixada em Dakar. Foram criados 40 comités de Direitos Humanos e capacitadas quatrocentas pessoas para conduzir sessões sobre Direitos Humanos nas comunidades. Também se apostou na emissão de programas de rádio e realizaram-se eventos em escolas. Os estudantes da Escola de Formação de Professores (EPF) foram treinados e contribuíram para a implementação dos comités nas comunidades, sendo treinados para ser agentes de desenvolvimento. Na ótica de sustentabilidade, os novos estudantes terão a tarefa de seguimento das ações e de avaliar o impacto do projeto

Juventude em Ação – Cultura

O projeto Juventude em Ação – Cultura está a ser financiado pela União Europeia e tem como parceiros de implementação o Grupo Cultural Netos do Bandim e a Associação Ussoforal.

Desde 2016 que o objetivo é de envolver os jovens dos diversos bairros de Bissau em torno da cultura e usarem-na como fonte geradora de rendimentos e desenvolverem a economia criativa, e no mesmo tempo contribuir à promoção da Cultura como “uma alavanca-chave de reconstrução e transformação da Guiné-Bissau” (Plano estratégico e operacional 2015 – 2020 “Terra Ranka”) Existem três centros culturais em funcionamento – Quelélé, Enterramento e Plack II – faltando a finalização em 2020 do centro cultural do Bandim. Nestes desenvolvem-se os seguintes cursos: Cozinha tradicional, dança, escultura, música, pintura, teatro, reciclagem e igualdade de género. E também diversos eventos culturais que durante 2019 atraíram 2541 participantes. Em parceria com a ONG ENGIM, 316 jovens foram treinados sobre empreendedorismo na área cultural e em 2020 serão selecionados as seis melhores ideias de negócio para serem financiadas. Através do projeto, 30 funcionários da Universidade Amílcar Cabral foram formados na área da Gestão e Políticas Culturais para o Desenvolvimento, Criatividade e Inovação. E ainda foi terminado o mapeamento do sector cultural da Guiné Bissau.

O Fundo de Contrapartida de Atividades Comerciais

O Fundo de Contrapartida de Atividades Comerciais da ADPP Guiné-Bissau destina-se a apoiar projetos de desenvolvimento promovidos pela ADPP Guiné-Bissau na região de Oio ou projetos desenvolvidos por associações locais da mesma região. No ano de 2019 foram usados 16,205 € para apoiar 13 associações de base da região de Oio. Os fundos também foram direcionados para as famílias de Binar que viram os telhados das suas casas serem destruídos depois de ventos fortes em Junho de 2019. Foram ofertadas 2,500 folhas de zinco, 5 toneladas de roupa e 2 toneladas de sapatos em segunda mão que beneficiaram as 96 famílias sinistradas.